REVIEW │ Alto mar, a dose certa de romance e mistério (e uma pitada de novela mexicana)

Depois de maratonar Cursed – se quiser ler tudo que achei sobre a série basta  clicar aqui – eu e meus pais estávamos a procura de algo para alegrar as nossas noites e, como a gente nunca consegue se decidir, Alto Mar estava bem no topo com a estreia da terceira temporada. Então, não pensamos muito sobre e totalmente ao acaso ancoramos nessa narrativa sem saber sobre o que se tratava, tendo apenas as seguintes informações: é uma produção espanhola e tem três temporadas disponíveis.

E, mesmo meus pais gostando bastante, eu não sou exatamente a maior consumidora de séries espanholas da Netflix. Minha experiência começa e termina com La Casa de Papel, embora agora já tenha acrescentado algumas outras na minha lista. Mas, como meus pais gostam, resolvi dar uma chance e maratonamos as três temporadas em menos de uma semana. Depois de assistir o primeiro, que mais parecia um filme de tanta coisa que acontece e com tanta informação que nos é passada, eu já estava apegada.

Fonte: divulgação/Netflix

Alto Mar, série produzida por Ramón Campos – também conhecido por seu trabalho em Gran Hotel – estreou na Netflix em maio de 2019 e a terceira temporada estreou em agosto desse ano. Vamos começar do princípio… A produção se passa na década de 1940 e durante a primeira temporada acompanhamos a viagem de estreia do navio Bárbara de Braganza, que parte de um porto na Espanha para o Rio de Janeiro, rota que dura duas semanas. Logo nos primeiros segundos do primeiro episódio conhecemos as irmã Eva (Ivana Baquero) e Carolina Villanueva (Alejandra Onieva), elas perderam o pai dois anos antes e estão em busca de uma nova vida no Brasil.

Eva é uma escritora que está indo ao encontro de um editor que tem interesse em publicar seu livro e Carolina está prestes a se casar com o dono do navio, Fernando Fábregas (Eloy Azorín). Contudo, logo antes de embarcarem seu destino se cruza – talvez não tão aleatoriamente quanto parece – com o de Luisa (Manuela Vellés), uma jovem que está tentando fugir de um casamento forçado e tem medo que seu noivo a mate caso a ache. Então Eva toma a frente da situação e elas levam a desconhecida como clandestina para dentro do navio. Afinal, não teriam como tirá-la de lá no meio do oceano.

O que eu imaginei que seria apenas uma história de busca a clandestina, se tornou uma busca ao assassino, quando o corpo de Luisa é jogado para fora do navio por um passageiro desconhecido. Nessa série, diferente do que estamos acostumados a ouvir, todos são culpados até que se prove o contrário, absolutamente todo mundo está na mira do policial a bordo, Varela (Antonio Durán) – que começa sendo um dos personagens mais odiados, mas depois até que me conquistou. As duas semanas de viagem parecem se tornar dois meses em vista os grandes acontecimentos e reviravoltas na narrativa – e não por que os episódios possuem um ritmo arrastado, pelo contrário, mas por que são tantos acontecimentos, reviravoltas e envolvimentos que é difícil acreditar que tudo acontecem em apenas 15 dias. Afinal, “reviravoltas” é a palavra chave em Alto Mar. Alguns membros da tripulação, como o segundo-comandante Nicolás Vázquez (Jon Kortajarena), que se torna braço direito de Eva em suas buscas pela verdade, tem papel fundamental na narrativa. Com o passar dos oito episódios somo levados em uma trama de assassinato, mistério, abuso sexual, segredos familiares e, claro, romance.

Fonte: divulgação/Netflix

A segunda temporada se inicia do ponto em que a primeira parou, a viagem até o Rio continua, mas agora, somando aos mistérios que restam da primeira parte da história, o plot da narrativa está voltado para o resgate de sobreviventes de um naufrágio que embarcam no navio e trazem novos ares para a história. O Bárbara de Braganza recebe, então, seus novos hospedes, dentre eles está Cassandra (Claudia Traisac), uma jovem com uma áurea mística e seu sexto sentido apurado que alega haver um fantasma no navio. Sim, um fantasma. Carolina logo é envolvida na falácia dessa nova passageira, que consegue convencê-la de que há um corpo escondido naquele navio, e que seu assassino também está abordo.

Mais uma vez partimos para a caça de uma pessoa desconhecida e depois de algumas revelações sobre o passado, Fernando se torna o principal suspeito! Conforme novas pistas vão aparecendo vamos sabendo mais sobre os motivos que levaram aquele assassinato e mais segredos vêm à tona. Como disse anteriormente, reviravoltas é o que não falta aqui. Agora mistério, suicídio, caça ao fantasma, homicídio e o amor caminham juntos tramando essa narrativa envolvente, mesmo que por horas um tanto melodramática de mais. Alto Mar abusa de drama e diálogos um tanto tolos, com efeitos especiais um pouco duvidosos e atuações no mínimo curiosas de assistir. Mas nada disso torna a série ruim, ela só se parece muto com os estereótipos que temos de uma boa “novela mexicana” – sem tirar nem  por.

Fonte: divulgação/Netflix

A terceira temporada nos leva de volta para dentro do Bárbara de Braganza alguns meses depois dos acontecimentos das primeiras temporadas para embarcarmos em uma segunda viagem – depois de tudo que aconteceu naquele navio, eu sinceramente não entendo como o Fernando simplesmente não afundou tudo no meio do oceano, mas enfim. Nessa nova parte da história, Eva já está com seu livro publicado e é considerada uma escritora de sucesso e ela parte para o México para fazer uma sessão de autógrafos enquanto Carolina e Fernando vão a trabalho e em uma tentativa de salvar o relacionamento.

Contudo, alguns dias antes de embarcar, Eva é interceptada por um dos novos personagens, Fabio (interpretado pelo brasileiro Marco Pigossi), que é um agente secreto do governo britânico e tem informações de que um vírus letal está com um dos passageiros do navio e que, se ele fosse liberado a bordo todos morreriam e se chegasse a terra firme, poderia se transformar em uma pandemia mundial (alô Corona Vírus!!). Claro que Eva topa ajudar, afinal ela nunca nega uma ação, e partimos para essa nova jornada na qual somos levados a essa investigação ultra secreta para tentar impedir uma catástrofe em nível mundial. Além de Fabio, outros personagens são introduzidos na história como Carmen (Cristina Plazas), que veja com as filha, Diana, que sofreu um acidente e tem que anadar de cadeira de rodas, sendo incapaz de falar e anda com o rosto e partes do corpo enfaixadas (sinistro) e o médico que cuida dela, Dr. Ayala (Pep Antón Muñoz). Pelo menos é isso que achamos… Mas nessa série nada nunca é exatamente o que parece.

A série é sim muito boa e me diverti bastante assistindo, mas algumas coisas precisam ser pontuada. Quando eu achava que não podia ficar mais absurdo a terceira temporada ultrapassa qualquer limite… O tom novelesco permeia todas as temporadas, com cenas e diálogos um pouco bobos, como, por exemplo, o fato de a Eva conseguir entrar em TODAS as cabines do navio com apenas um grampo de cabelo e ninguém nunca descobre nem desconfia de nada. Gente, e a segurança e privacidade? Para mim a melhor ainda é a primeira temporada, embora as outras duas não fiquem muto para trás. Mas algumas respostas não são muito bem formuladas e resoluções são jogadas para o telespectador, sem muitas explicações e só deixando todo mundo assim…

É impossível deixar de reparar na semelhanças com Titanic (com um toque de Agatha Christie em formato de novela mexicana)com todo luxo e grandeza do navio, além de também mostrar bastante a diferença de classes com os ricos bem acima e os trabalhadores em suas modestas cabines na parte inferior. Mas, diferente do famoso naufrágio, o problema em Alto Mar não é o ice berg e sim os segredos e mentiras que correm nos corredores do navio. A série é sim um novelão, que aposta no romance e no mistério no mesmo nível, mas com personagens carismáticos e envolventes e uma narrativa bem construída em sua maior parte, o que se tona muito interessante e legal de acompanhar. Isso, claro, se você gosta de um dramalhão.

Como sempre gosto de exaltar alguns personagens que me ganharam ao longo da narrativa – apenas por que eu acho que eles merecem – e no caso de Alto Mar meu top 1 é ocupado por dois deles: o fofo do Dimas Gomés (Ignacio Montes) e o maravilhoso do Capitão Santiago Aguirre (Eduardo Blanco). Esses dois merecem todo amor do mundo!

Fonte: divulgação/Netflix

Algumas coisa que acontecem são tão absurdas, no nível dramático e de reviravoltas, que eu me pegava rindo ao assistir o desenrolar de alguns diálogos. Por outro lado, algo que eu achei muito interessante na série – sem contar a questão dos mistérios em si – foi a presença de personagens femininas muito fortes. E por “fortes” não quero dizer que elas não sofrem, que não são vulneráveis e que não têm seus momentos considerados de “fraqueza”, claro que têm! Ainda mais pelo fato de a série se passar nos anos 40. Hoje a figura do homem ainda é vista com superior, imagina 80 anos atrás. E essa superioridade masculina historicamente construída é sim colocada na série, em grandes e pequenos atos, mas também, e principalmente, a  força feminina é muito presente!

A quarta temporada já foi confirmada pela Netflix mas ainda não tem data de estreia confirmada. Agora nos resta esperar para saber onde as águas vão nos levar nesses próximos episódios. E enquanto eles não saem, convido vocês a participarem dessa viagem…


AVALIAÇÃO:

Avaliação: 3.5 de 5.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.