REVIEW │ Work it – talvez não tão velha para comédias românticas

Tá bem… Talvez eu não esteja tão velha assim para comédias românticas! Quem leu um dos últimos posts aqui do blog no qual falo sobre o filme A Barraca do Beijo 2 eu comentei que diversas coisas tinham me incomodado e que talvez eu tivesse chegado no momento em que as comédias românticas novas – que ainda estão livres de qualquer apego emocional – estivessem já fora do meu radar de filmes perfeitos.

Mas eu estava enganada! No dia 7 de agosto a Netflix liberou sua nova produção, Work It (Dançarina Imperfeita) e eu estou APAIXONADA! O longa foi dirigido por Laura Terrusso, escrito por Alison Peck e produzido pela cantora Alicia Keys. No momento que o filme acabou eu já queria colocar de novo para assistir e certamente se tornou uma das minha comédias românticas favoritas! Acho que eu só não estava no dia certo para ver a sequencia de A Barraca do Beijo… E a boa notícia é que minha lista segue crescendo e sigo me apaixonando por esse gênero!

Fonte: Netflix/divulgação

O filme não é nenhuma obra extremamente original e que fuja dos clichês, mas faz tão bem o uso dos elementos essências para um bom filme que é quase impossível não gostar. A produção conta a história de Quinn Ackerman (Sabrina Carpenter), uma menina extremamente dedicada aos estudos, só tira nota máxima, tem diversas atividades extracurriculares, tudo isso para realizar o sonho de entrar na Universidade Duke, a mesma que seu pai estudou. Mas tudo isso muda quando ela vai na sua entrevista para entrar na faculdade e descobre que ela não tem diferencial nenhum, todos os outros alunos que estão tentando entrar tem o mesmo currículo, com as mesmas atividades, e ela se vê perdida pela primeira vez.

“Você tem visto as notícias ultimamente? O mundo está em chamas. Estou procurando candidatos que são agentes da mudança, que correm riscos, entende? E não pessoas que caibam numa caixa. Quero gente que detone a caixa!”

Quinn precisa então achar uma maneira de sair fora da caixa – ou melhor, detonar a caixa – e depois de mentir para a entrevistadora (Michelle Buteau), que ela é uma das integrantes do grupo de dança do colégio, bom, ela precisa realmente entrar em uma equipe para ter chance de estudar da univerisdade dos seus sonhos! A pergunta é: Quinn sabe dançar? Não, ela não sabe! Ela não tem ritmo nenhum e é um tanto atrapalhada. Mas mesmo assim, depois de não passar no teste, ela se junta então com sua melhor amiga Jass (Liza Koshy), que tema dança como paixão e almeja ser uma dançarina profissional e as duas criam um grupo de dança, os TBD, com os alunos desajustados do colégio que de uma maneira estranha, cada um com seu diferencial, criam uma atmosfera coesa e que funciona muito bem juntos, em um estilo Pitch Perfect!

Fonte: Netflix/divulgação

Para concluir essa equipe de dança Quinn precisa de um coreografo e é aí que Jordan Fisher entra em cena senhoras e senhores! Eu já conhecia o ator pelo seus papéis como Mark Cohen em Rent: Live, uma produção da FOX que foi apresentada em janeiro de 2019; Noah Patrick em Teen Wolf; John Laurens/Phillip Hamilton no musical Hamilton em 2016; recentemente ele brilhou no papel de John Ambrose em Para todos os garotos que já amei 2; e, por fim, em 2020 ele assumiu o papel de Evan Hansen no musical Dear Evan Hansen na Broadway. Então sim, eu já era uma grande fã e apreciadora dos seu passos se dança e sua voz. E ele não decepciona em Work It.

No novo longa Fisher interpreta como Jake Taylor, um ex-aluno da escola que ganhou a competição há alguns anos mas, devido a uma lesão no joelho, desistiu da dançar profissionalmente, e se tornou professor de dança para criança. Quinn então precisa convencê-lo a coreografar sua equipe para que eles tenham uma chance de ganhar o campeonato!

Tudo isso acontece de uma forma muito leve, engraçada e bem atrapalhada, o que, por vezes, deixam aquela sensação de vergonha alheia – principalmente nas cenas de Quinn dançando! A comédia é muito bem colocada na narrativa, nunca passando muito do limite do ridículo (eu disse “muito”) e sendo algo muito gostoso de acompanhar e dar risada assistindo. Sabe aqueles dias que precisa apenas distrair a cabeça? Está aí minha nova indicação de filme para sentar no sofá com uma pipoca e não pensar em nada por alguns minutos.

Fonte: Netflix/divulgação

A química entre todos do elenco funciona muito bem, principalmente entre os dois atores principais, Fisher e Carpenter. Mas Koshy não fica de fora, sendo a responsável pelos momentos mais hilários e as tiradas mais sarcásticas. Quem também precisa ser mencionado aqui é o antagonista da história, o dançarino Isaiah/Julliard (Keiynan Lonsdale), capitão da equipe de dança rival, que BRILHA do seu jeito único e ninguém pode apagar toda aquela luz. A patricinha estilo Regina George de Meninas Malvadasque poderia ter sido interpretado por qualquer atriz branca, loira, bem padrão – foi gloriosamente substituída por um talentoso dançarino que se acha superior a qualquer ser humano com seus figurinos extravagantes e seu sarcasmo.

Fonte: Netflix/divulgação

Work It veio cheio se referências a cultura pop, principalmente com outras produções disponíveis no catálogo da Netflix como Stranger Things, o reality show RuPaul’s Drag Race, Queer Eyes e o documentário/concerto Homecoming da Beyoncé. Além de também contar com uma trilha sonora atual e diálogos com gírias, o que acrescenta muito na narrativa. E, como um bom filme de dança, a escolha musical é essencial e essa escolha por faixas atuais agregou muito à história, as coreografias não ficam para trás sendo o ponto alto do filme, sem a menor sombra de dúvidas. Cada número me fazia querer levantar e dançar junto (não que eu saiba dançar, mas a Quinn também não sabia, então tudo certo). O filme vai tão além de focar apenas na competição de dança… É principalmente sobre se encontrar, definir suas prioridades, amizade, aceitar que está tudo bem não ser perfeita em tudo e nos faz refletir sobre como às vezes depositamos muita importância em coisas que não nos fazem felizes e nem sabemos por que damos tanta relevância para aquilo.

Acho que o único problema de verdade do filme foi a falta de profundida para alguns personagens, como os membros do TBD que são citados em  momento muito específicos e embora a gente passe a conhecer o “estereótipo” de cada um, acabam não tendo tanto tempo de tela. Assim como a relação de Quinn com seu pai, entendemos que depois da morte dela ela sente a necessidade de ir para Duke para se sentir mais próxima dele (não, isso não é um spoiler), mas não nos é dado nenhum elemento que fortaleça essa conexão, o que poderia facilmente ter sido resolvido com alguns rápidos flashbacks. Mas isso de nenhuma maneira tira o brilhantismo desse filme que cumpre o papel de entreter e deixar aquela sensação gostosinha no coração.

“Você não pode pensar no que faz. Precisa deixar seu corpo te levar.”

O filme fala sobre encontrar seu ritmo, sua pulsação, sua forma de levar a vida… Encontre aquilo que ama fazer e assim como Quinn, detone a caixa! A vida está aí para ser vivida.


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Avaliação: 5 de 5.

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