REVIEW │ Snowpiercer e a nossa sociedade de classes

“Olá todos os passageiros. As Indústrias Wilford desejam a todos um bom dia.”

A série Snowpiercer (O Expresso do Amanhã) estreou no dia 17 de maio de 2020 na TNT, e foi distribuída fora dos Estados Unidos pela Netflix, que lançava os episódios semanalmente. Logo que estreou o primeiro episódio minha prima me mandou uma mensagem, “Saiu uma série nova na Netflix com o Daveed Diggs!”, eu nem precisei pensar duas vezes! No mesmo dia assisti o episódio e comecei a acompanhar toda segunda-feira religiosamente. Para quem vive em outro planeta, Daveed Diggs é quem interpreta Lafayette e Thomas Jefferson em Hamiltontambém conhecido como melhor musical já feito – então eu já era fã!

Snowpiercer é baseada na HQ francesa de 1982, Le Transperceneige, que fala sobre um futuro distópico onde a humanidade condenou a Terra a uma segunda Era do Gelo, após tentar controlar o aquecimento global, e aqueles que compraram passagem embarcam em um trem, contruído pelo milionário, Sr. WIlford, com o intuito de preservar a vida humana. Os quadrinhos chegaram ao Brasil traduzidos como O Perfuraneve, e já havia sido adaptado para as telas do cinema em 2013, com o longa homônimo da série, O Expresso do Amanhã. O responsável pelo filme foi o cineasta Bong Joon Ho (o vencedor do Óscar por Parasita em 2019), e a adaptação contou com um elenco excelente, com nomes como Chris Evans, Tilda Swinton, John Hurt e outros.

Pôster oficial do filme de 2013

Eu não cheguei a assistir o filme pois não sabia se o encerramento da série seria igual ou não, e convenhamos, ninguém gosta de spoilers. Mas certamente o longa está na minha lista e pretendo assisti-lo par poder comparar as duas produções, já que, pelo que pude percebe, a série trilhou um caminho diferente (perdoem o trocadilho). A trama básica da série manteve-se a mesma: no futuro distópico de uma segunda Era do Gelo, a população busca salvação em um trem de 1.001 vagões que vai trilhar por toda a Terra sem parar, mantendo os últimos sobreviventes do planeta vivos.

Contudo, no dia da partida, a população mais pobre, que não teria condições de comprar uma passagem para aquela viagem da salvação, resolve invadir o trem, e depois de estarem lá dentro, não tem volta, eles partem para a eterna viagem. Como toda boa história distópica, conhecemos a miséria e o pior lado do ser humano, e uma nova sociedade de classes é instaurada dentro da locomotiva: Os fundistas, aqueles que tomaram seu lugar a força e agora vivem na miséria e com o mínimo para sobrevivência, racionando comida e sem água e luz; a terceira classe, essencial para o bom funcionamento do trem, mas que não são valorizados como deveriam, não tendo nem metade do luxo das classes superiores; e, por fim, a elite, que é fútil e alheia ao que se passa no resto do trem, se alimentando do bom e do melhor, comendo sushi fresco.

A grande critica da série está justamente nessa desigualdade e nas injustiças que são apenas reflexos da sociedade em que vivemos. Os ricos vivem no luxo, com a consciência de que, por terem muito poder e dinheiro, são merecedores da salvação, e que os serviçais não fazem nada mais que as obrigação. Então, a  todo momento temos o ponto de vista daqueles que vivem no fundo, que se questionam, afinal, por que têm que viver com tão pouco e outros com tanto; e, do outro lado, a elite, que não está disposta a abrir mão de seus privilégios.

“Podem tirar nossos membros, nossas crianças, nossos líderes… Tentam tirar nossa dignidade. Porém, os sobreviventes dirão que foram dignos à beira da morte. Quanto mais roubam de nós, mais humanos viramos.”

São questões morais e éticas muito passíveis de discussão, afinal não é justo que apenas os mais ricos tenham direito de serem salvos e, por outro lado, o trem não possui recursos ilimitados (assim como nosso planeta) para arcar com mais 400 passageiros que não estavam no planejamento… E assim o trem com 1.001 vagões nada mais é que um triste reflexo da sociedade dispare que vivemos!

Fonte: divulgação/Netflix

Contudo, a narrativa nos leva por caminhos diversos no decorrer dos episódios, enquanto o personagem principal, o fundista Andrea Layton (Daveed Diggs), é levado a percorrer o trem em busca de uma assassino que está matando terceiristas, e assim a  série é tomada por um ritmo policial, e uma caçada começa. Como eu não conhecia a história de antemão, quando chega na metade da temporada e o crime é resolvido, eu pensei: “E agora? É isso?

Mas então a série muda de forma e parte para a revolução. Da metade da temporada até o episódio final ela é marcada por sangue, brigas, traições, segredos e mentiras que nos levam até a revelação no episódio final que nos faz agradecer pela segunda temporada já ter sido confirmada. O encerramento não é totalmente inesperado, mas é bem construído e deixa um gancho que desperta curiosidade. Acredito que algo que podiam ter explorado mais durante a produção era o uso de flashbacks, que são inseridos em partes específicas da narrativa, mas em alguns casos acredito que teria acrescentando bastante na narrativa se tivessem sido adicionados.

Daveed Diggs está excelente no papel, mas sou suspeita para falar! Assim como Jenniffer Connelly, como Melanie Cavill, que – não surpreendentemente – deu um show de atuação. E falando em show de atuação, Annalise Basso, que interpreta LJ Folger, senhor! Ela faz um papel perfeito de psicopata (não sei se isso pode ser considerado um elogio), mas gostaria de dar os parabéns… Alguns personagens não são tão interessantes de acompanhar, como Ruth Wardell (Alison Wright) que é apenas muito chata, mas entendo que esse era o papel dela, e John Osweiller (Sam Otto) que é só um idiota que está lá para nos fazer passar raiva!

E aqui gostaria de deixar todo meu amor para a rainha da série, que merece todo carinho e respeito, Till (Mickey Sumner)! Revolucionária badass! A primeira temporada já está toda disponível na Netflix, aproveita para maratonar enquanto aguardamos a segunda!

Fonte: divulgação/Netflix

AVALIAÇÃO:

Avaliação: 3.5 de 5.

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